A Petrobras está no seu dia a dia, muito mais do que você imagina

Você sai do seu trabalho e pega um ônibus. Ao chegar em casa, abre a caixa de correio e pega um pacote plastificado. Ali dentro, um brinquedo feito de plástico, com bolinhas de isopor protegendo de impactos no transporte.

Você deixa o pacote em cima da mesa e começa a cozinhar. Ali tem vegetais e um pouco de carne. Enquanto espera o cozimento ser atingido, você descansa em seu sofá antes de um jantar à luz de velas que você preparou.

Se você olhar bem estas cenas corriqueiras, verá muito da Petrobras no seu dia a dia. Começa pelo combustível do ônibus, diesel, extraído e refinado pela Petrobras. O próprio ônibus tem bancos e componentes de plástico, também derivados do petróleo. As ruas são geralmente pavimentadas por asfalto, que é também produto do refino do petróleo.

O pacote plastificado e o brinquedo de plástico também envolvem derivados do petróleo, assim como o isopor, um tipo de plástico chamado polipropileno.

Ao cozinhar, você usa gás de cozinha, que é resultado de refino ou da própria extração do petróleo. A produção de vegetais depende de fertilizantes nitrogenados, produzidos pela Petrobras (ou até pouco tempo atrás) e a carne precisa muitas vezes de suplementação alimentar que vem da mesma fábrica de nitrogenados.

Para completar, é quase certo que a espuma de seu sofá é sintética e seja feita de plástico. E a vela do jantar é feita de parafina, também extraída do refino do petróleo. Há muito mesmo de Petrobras na sua vida e isso passa muitas vezes sem ser percebido.

 

De uma ponta a outra

Seja por caminhões, trens, aviões ou navios, seu alimento e suas bebidas chegam ao local que você compra — feiras, quitandas, mercados, mercearias e etc — usando combustível em um processo de extração e refino que envolve a Petrobras.

A empresa é disparada a maior extratora de petróleo no Brasil e dona de quase todas as refinarias existentes no país, presente em todas as regiões (embora o mercado seja aberto para que outras empresas instalem suas refinarisa).

Vários produtos derivados do petróleo servem de matéria-prima para diversas indústrias de plásticos, pavimentação urbana, insumos de agricultura e pecuária, produtos químicos, espumas, acessórios para diversas outras indústrias e etc.

Uma privatização da Petrobras afetaria todas essas cadeias produtivas dentro da indústria nacional, provocando aumento de preços em praticamente tudo que se consome no país. A indústria perderia mais competitividade e os impactos também poderão ser sentidos em empregos e no enfraquecimento da economia.

 

Por que é ruim desmantelar?

Uma empresa estatal atuando em várias frentes, da extração aos derivados, passando pelo refino, transporte e distribuição, tende a diminuir custos da economia como um todo, pois o lucro tende a ser realizado em apenas uma ponta da cadeia. Tudo que a Petrobras produz é meio para as demais atividades econômicas.

De 2016 para cá, a partir do governo de Michel Temer, continuado por Jair Bolsonaro, não só a política de preços de combustíveis foi alterada, prejudicando os consumidores e também as atividades econômicas que dependem de combustíveis. Iniciou-se também um nocivo processo de desmantelamento da Petrobras, com vendas de empresas subsidiárias em várias áreas e anúncio de saída de alguns setores econômicos estratégicos.

O caso mais recente foi o arrendamento ou anúncio de fechamento de unidades Fafen em todo o país, após fracassarem em tentativas de vendas. As Fafens são fábricas de fertilizantes nitrogenados e de ureia para consumo animal, que é importante suplemento alimentar para a pecuária.

Sem as Fafen, os agricultores e pecuaristas brasileiros, principalmente os pequenos (que têm menor poder de negociação de preços), terão um aumento de custos ao ter de importar os produtos necessários para suas atividades, pois as Fafen eram as únicas fabricantes disso no Brasil inteiro.

Fatalmente, isso será repassado ao preço dos alimentos. Ficará mais caro ter comida na sua mesa que não seja ultraprocessada e cheia de conservantes. Assim, é pior para a sua saúde.

 

Petrobras precisa ficar na mão do povo e inteira

A Petrobras é estratégica para um projeto de nação. E para isso, precisa estar inteira, sem abrir mão de partes do processo, assim como são as empresas petrolíferas mais avançadas do mundo. É dessa forma que governos inteligentes pensam, mas o governo brasileiro está se distanciando cada vez mais disso.

Não adianta um país saber extrair petróleo e não saber refinar ou processar seus derivados. Assim como foi danoso o desmantelamento das fábricas de automóveis nacionais lá nos anos 50, levando o país à dependência tecnológica no setor. Vender a Petrobras ou desmontá-la significa o mesmo na área de petróleo, química e petroquímica.

Não se pode vender a Petrobras e nem pedaços dela. É questão de economia. É questão de futuro.

 

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