Acordo da Opep+ e guerra de superprodução prejudica quem não refina

A redução do consumo global de petróleo provocado pela pandemia do Coronavírus provocou uma guerra comercial que levou à queda dos preços do produto nos mercados internacionais.
Muita produção e demanda reduzida provocaram uma reunião da Opep+ (grupo que reúne os países da Opep com outros 11 países produtores liderados por Rússia, México e Omã) no começo de abril e os resultados foram insuficientes para tentar segurar a crise.
Vários países, como o México, se recusaram a diminuir a produção e o resultado do acordo foi prejudicial para países do continente americano, caso do Brasil. A redução na produção mundial acordada para tentar manter os preços foi menor que a inicialmente proposta.
A proposta inicial era de uma redução de 15 milhões de barris por dia no mundo, mas foi fechada em apenas 10 milhões. A queda do consumo foi calculada em 27,5 milhões por dia em abril e 19,1 milhões em maio. Deste modo, ainda há mais petróleo sendo vendido que a demanda, o que tende a inundar o mercado de petróleo barato, caso outros produtores fora do acordo não intervenham.
No entanto, o acordo ratificado dia 12 de abril teve vida curta, pois a guerra comercial e geopolítica entre Rússia e Arábia Saudita continuou e o preço do petróleo despencou mais ainda no dia 20 de abril, com contratos futuros chegando a ser negociados por valores negativos, o que é inédito na história e pode fazer ruir principalmente as empresas menores e as mais dependentes da venda do petróleo cru, que verão os custos de extração ficarem inviáveis.
Aí que entra o risco para Petrobras e a necessidade urgente de uma mudança de postura da gestão.
Desde 2016, a estatal tem se focado na venda de petróleo cru especialmente para a China, que fez estoque de petróleo com a Arábia Saudita e tende a comprar menos nos próximos meses. Nesse período, a capacidade de uso das refinarias brasileiras foi reduzida propositadamente para cerca de 60%, e o nosso país passou a importar cada vez mais combustível, um contrassenso diante do dólar cada vez mais alto.
Com o preço do petróleo cru lá embaixo, a gestão da Petrobras passou a focar apenas no Pré-Sal, que tem a extração mais barata graças à tecnologia desenvolvida pela própria estatal. No entanto, a melhor saída para superar a crise seria voltar a refinar em maior volume e vender derivados. Só assim pode-se evitar ao mesmo tempo um desabastecimento e o risco de a empresa entrar em uma espiral de prejuízos nunca vista. E de impedir uma perda ainda maior de valor de mercado.
Deste modo, a salvação está nas refinarias e no mercado interno, mesmo reduzido com a queda da mobilidade das pessoas.
Agora é a hora de saber se quem comanda a Petrobras tem condições de conduzi-la com segurança ou se age como o capitão do Titanic, ignorando todas as evidências e avisos e acelerando rumo a um iceberg.

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