Além da corrupção, petrolíferas privadas estrangeiras estão envolvidas em crimes absurdos

Setores que pretendem facilitar a privatização da Petrobras tentam fazer com que a população enxergue apenas problemas na estatal.

O objetivo deles é convencer a população de que o único caminho é privatizá-la.

Se eles realmente tivessem compromisso com o Brasil, proporiam mecanismos mais eficazes de controle e de gestão, e mais autonomia para os órgãos fiscalizadores. Uma lei aprovada no Reino Unido em 2010, por exemplo, proíbe empresas de subornarem governos.

O que eles não é que as empresas petrolíferas privadas atuando no país, inclusive na exploração do Pré-Sal, cometem inúmeros crimes mundo afora.

Um estudo da renomada consultoria Ernst & Young, na Inglaterra, demonstrou que empresas privadas de petróleo e gás são as mais propensas a se envolver em casos de corrupção e de suborno a governos (geralmente para adquirir blocos de exploração de petróleo).

 

A Shell na Nigéria

Em 2017, a Shell arrematou várias áreas de exploração do Pré-Sal nas Bacias de Campos e Santos, sendo uma das principais vencedoras do leilão promovido pelo governo Temer.

A empresa anglo-holandesa está envolvida em um grande esquema de corrupção na Nigéria, no continente africano, envolvendo propina, suborno e lavagem de dinheiro. São crimes considerados muito maiores do que o investigado pela Operação Lava-Jato.

O envolvimento da Shell com a corrupção é tão grande que a empresa usou o exército nigeriano para sufocar protestos contra a empresa.

Além disso, em 2004, a Shell também supervalorizou suas reservas e inflou seus lucros para enganar o mercado financeiro, o que também é crime.

Junto com a petrolífera ENI, da Itália (privatizada em 1995), a Shell também é investigada por terem pago US$ 1,1 bilhão para o governo nigeriano para adquirir um bloco (OPL 245), sabendo que os recursos estavam sendo usados para subornos.

 

Calote de Eike Batista

Eike Batista, aquele que a mídia tradicional tentou mostrar como o maior exemplo de “empreendedor de sucesso” no Brasil, afundou-se ao se envolver em esquemas milionários de corrupção.

Sua petrolífera, OGX, deixou de pagar US$ 44,5 milhões a investidores estrangeiros, o que foi considerado um dos maiores calotes da América Latina. Com isso, foi obrigada a parar de explorar as suas áreas na Bacia de Campos, desistindo de comprar nove dos 13 blocos leiloados pelo país.

 

Lobby bilionário para destruir o meio ambiente e manter a corrupção

Segundo a ong Transparência Internacional, nos primeiros três anos após a assinatura Acordo de Paris (maior acordo entre países para proteção ao clima da história, firmado em 2015), cinco das maiores empresas privadas de petróleo e gás do mundo (British Petroleum, Shell, ExxonMobil, Chevron e Total) gastaram mais de US $ 1 bilhão em lobby relacionados ao clima.

Elas usam seu poder econômico para “influenciar” governos e distorcer as políticas e leis em favor de seus interesses.

A ExxonMobil também tentou barrar uma lei (chamada de Seção 1504) nos Estados Unidos que, seguindo outras leis aprovadas em países europeus, determinava a divulgação dos pagamentos feitos por empresas petrolíferas a outros governos.

 

ExxonMobil em Guiné Equatorial e na Guiana

Assim como a Shell, a gigante norte-americana ExxonMobil também adquiriu alguns blocos de Pré-Sal no leilão de 2017.

As coincidências não param por aí: assim como a empresa anglo-holandesa, a ExxonMobil também cometeu crimes no continente africano.

A companhia teve envolvimento com a ditadura de Guiné Equatorial. Ela financiava o governo daquele país e mantinha contratos de origem duvidosa com a família do ditador.

Além desse crime, a ExxonMobil também tem em seu currículo um processo nos EUA por mentir aos seus investidores sobre possíveis riscos climáticos.

Na Guiana (país que faz fronteira com o norte do Brasil) a ExxonMobil pressionou por um acordo draconiano que vai privar o país de receber até US$ 55 bilhões (quase R$ 300 bilhões, pela cotação de novembro de 2020), segundo a ONG Global Witness. Ou seja, um valor 60 vezes maior do que o que foi estimado pela Lava-Jato no Brasil.

Na Liberia, a empresa pagou US$ 120 milhões por um bloco de petróleo em uma negociação envolvida em corrupção.

 

Petrolíferas estimularam atrocidades no Sudão do Sul

As disputas pelo controle do petróleo no Sudão do Sul (país emancipado em 2011 que fica no nordeste africano) tem gerado desde 2013 atrocidades em massa, crimes de guerra e crimes contra a humanidade, com a conivência de empresas petrolíferas, como a sueca Lundin.

 

Por que a corrupção das outras empresas não interessa?

A partir de 2014, para incentivar a privatização da Petrobras e interferir na vida política do país, os principais veículos da velha mídia brasileira iniciaram um processo de linchamento público da Petrobras.

Em outras democracias, quando há problemas envolvendo empresas (públicas ou privadas), a imprensa noticia, divulga e cobra das autoridades, sem implementar um massacre público durante anos. Mas no Brasil, os noticiários foram tomados por notícias negativas dia e noite, insistentemente, muitas vezes repetindo as mesmas informações de dias anteriores.

Na rabeira dessa movimentação surgiram grupos extremistas (alguns deles financiados por norte-americanos magnatas do petróleo) que se aproveitaram do ódio gerado na população para interferir na política nacional, sempre visando beneficiar os seus financiadores interessados no Pré-sal e no petróleo brasileiro.

Juntos com outros setores, todos esses elementos trabalharam (e continuam trabalhando) pesado para fazer com que a população pense que não há nada de positivo na Petrobras e que a única saída seria a privatização.

Eles não contam que as empresas privadas estão muito mais envolvidas em práticas corruptas. Além disso, geralmente os casos de corrupção no poder público envolvem o relacionamento com empresas privadas. Fora isso, estima-se que a sonegação no Brasil represente 3 vezes mais prejuízos para os cofres públicos.

Já o Estado possui muitos mais mecanismos para identificar e impedir práticas criminosas nas empresas estatais, com a atuação de inúmeros órgãos e instituições. E se algum caso é descoberto, as punições são muito mais severas.

Falta ao Brasil fazer a sua parte, que é colocar os holofotes nos verdadeiros criminosos: aqueles que querem entregar a Petrobras a qualquer custo aos estrangeiros e prejudicar o seu povo.

Como todos os exemplos comprovaram, privatizar as estatais vai abrir mais espaço para a corrupção!

 

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