Antes de repetir o mantra “privatiza tudo”, saiba quem faz você pensar assim (e o porquê)

Uma das formas mais usadas por setores que pretendem lucrar com o sofrimento da população é espalhar mentiras ou distorcer a realidade para conseguir apoio a seus projetos mesquinhos e egoístas.

Se você já repetiu a expressão “privatiza tudo”, então esse texto é para você porque, provavelmente, você foi envolvido justamente em uma teia de mentiras.

Você já parou para pensar de onde vem essa expressão? Quem se esforça para espalhar essa ideia na sociedade? Quem seria beneficiado com isso?

 

Como é produzida a ideia da privatização?

Até o discurso de “privatiza tudo” chegar a você, ele percorre um caminho.

Ele começa nos setores que realmente irão se dar bem com as privatizações. São os aproveitadores: megaempresários, grandes corporações (nacionais e estrangeiras), investidores, atravessadores, “formadores de opinião” e políticos corruptos que receberão propina durante as negociações.

As empresas estatais são estratégicas para o país, são fundamentais para reduzir a pobreza e o abismo social, alavancam a economia nacional, desenvolvem muitas regiões que estavam à margem do poder econômico, ajudam a incluir pessoas e garantem bem-estar e acesso a direitos essenciais.

Como aqueles aproveitadores sabem que a população tem noção da importância das estatais (mais de 65% é contra as privatizações), a forma que eles encontram para conseguir apoio é enganando e mentindo.

Mas eles não conseguem fazer isso sozinhos. Por isso, contam com o empenho:

– Dos partidos conservadores tradicionais, cujos políticos são financiados para agir como office-boys desses interesses

– De grupos organizados na internet (milícias digitais altamente financiadas, como algumas que ganharam bastante espaço no Brasil e até elegeram diversos políticos para fazer aquilo que eles hipocritamente criticavam – a principal delas, por exemplo, foi criada por empresários norte-americanos do ramo do petróleo que desejam se apropriar do petróleo brasileiro)

  – Da velha mídia, cujos patrocinados/anunciantes estão ansiosos para se apropriar das lucrativas estatais (você já viu a velha mídia criticar as privatizações?)

 

É tão fácil assim?

Esses aproveitadores sabem que não é fácil enganar as pessoas para que elas acreditem, apoiem e divulguem ideias prejudiciais a elas mesmas (as pessoas não são naturalmente masoquistas e não gostam de sofrer).

Como esses aproveitadores não possuem ética, eles espalham (repetidamente e insistentemente) a mentira de que a privatização seria algo bom para o país.

Mesmo que o passado comprove o tamanho do estrago que as privatizações causaram no Brasil. Mesmo que os países mais ricos e desenvolvidos não façam isso (pelo contrário, estão reestatizando). E mesmo que isso vá gerar mais miséria e exclusão.

E não se engane. Eles mentem para você e, de noite, dormem tranquilamente em suas mansões ou hotéis de luxo.

 

Que tipo de mentiras?

Eles dizem que se “privatizar tudo” os serviços ficarão mais baratos e melhores. É mentira, porque estudos comprovaram que os serviços privatizados ficaram mais caros e piores (esse é o principal motivo para as reestatizações nos países desenvolvidos).

Fazem você pensar que estatais promovem “cabide de emprego” quando, na verdade, a imensa maioria dos funcionários é altamente qualificada e entrou por concurso público (menos de 0,5% dos cargos são ocupados por pessoas indicadas).

Dizem que precisam dos recursos da privatização para sanar problemas fiscais, mas escondem que o governo destina quase metade do orçamento anual para os bancos (amortização, juros e rolagem de uma dívida que não acaba e que nunca foi auditada).

Fazem você imaginar que as estatais estão tomadas por corrupção quando, na real, os casos são muito específicos e localizados, enquanto a corrupção na iniciativa privada é três vezes maior.

Se empenham em fazer você acreditar que não existem estatais nos países mais ricos (essa é uma das maiores mentiras, já que só nos Estados Unidos existem mais de 30 mil – chamadas de public authorities).

Falam que as privatizações irão gerar mais empregos, quando o que acontece é o contrário: demissão em massa e destruição de toda uma cadeia produtiva.

Mentem ao dizer que acabarão com monopólios, mas, na verdade, criam monopólios regionais (na maioria dos casos, uma empresa passou a determinar os preços) ou oligopólios extremamente concentrados.

Além disso, eles não explicam que o lucro das empresas privadas vai diretamente para a sede que está no país de origem da multinacional ou para os bolsos dos riquíssimos empresários (você nunca terá acesso a nada disso).

 

O que eles escondem

Como a intenção dos aproveitadores é sempre prejudicar a imagem das estatais (para que elas sejam vendidas a preços reduzidos), eles nunca divulgam os gigantescos benefícios:

  • Mesmo quando a estatal é de economia mista (como a Petrobras), o governo é o principal acionista e utiliza os lucros em programas sociais e políticas públicas voltadas para o conjunto da sociedade. Parte da arrecadação das estatais é reinvestido nelas próprias, em pesquisa e inovação (a Petrobras é campeã nisso), que irão gerar mais economia, mais avanços tecnológicos, mais riquezas
  • Muitos desses avanços tecnológicos são compartilhados com instituições públicas, como universidades, para expandir o conhecimento e gerar ainda mais desenvolvimento econômico e social no país
  • As estatais são as maiores investidoras em esportes (muitas modalidades praticamente não existiriam no Brasil), em cultura (sem as estatais não teríamos grande parte das peças de teatro e nem dos filmes nacionais), em educação (milhares de projetos educacionais só existem por causa desses recursos) e na proteção ambiental (os principais projetos de proteção à fauna e à flora brasileiras sobrevivem por investimentos das estatais)
  • A economia de diversas regiões e de centenas de cidades do Brasil são sustentadas pela presença de estatais, especialmente naquelas localidades que não são parte dos centros econômicos e financeiros do país.
  • Milhões de brasileiros continuariam na extrema miséria se não fossem os investimentos das estatais, já que elas não se instalam apenas onde dá lucro, mas onde elas podem levar desenvolvimento.
  • A maioria delas apresentam balanços financeiros extremamente positivos, ou seja, ter estatais não dá prejuízo para o país, dá muito lucro (mesmo que esse não seja o objetivo principal).
  • Muitas estatais brasileiras aparecem em rankings internacionais de qualidade e são premiadas (por isso, muitos estrangeiros desejam comprá-las – afinal quem compraria algo que não funciona?)
  • As estatais priorizam o mercado nacional, desenvolvendo uma gigantesca cadeia produtiva que beneficia milhares de empresas brasileiras (enquanto as empresas privadas buscam o lucro e, por isso, não se importam em gerar empregos em outros países, desde que paguem mais barato por insumos e outros materiais).

 

Por que não seguir o exemplo de países ricos, como a Noruega?

O país com o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo é a Noruega. De 2000 a 2017, os noruegueses fizeram o caminho inverso ao do atual governo brasileiro. 21 empresas foram retomadas pelo controle estatal.

A maior empresa estatal daquele país é a petrolífera Statoil, a “Petrobras norueguesa”. Assim como o Brasil planejava fazer com o Pré-sal antes dos governos Temer e Bolsonaro, os noruegueses destinam os recursos da exploração do petróleo para o que eles chamam de Fundo Soberano, uma espécie de poupança que financia políticas sociais e garante segurança em caso de crise econômica.

O valor deste fundo soberano é de US$ 1,15 trilhão (R$ 6,64 trilhões). Se fosse distribuído entre os habitantes da Noruega, cada pessoa receberia mais de US$ 211 mil (cerca de R$ 1,18 milhão).

Muitos dos países que hoje são considerados ricos e desenvolvidos utilizaram suas estatais para alavancar a economia e gerar prosperidade coletiva. Agora, continuam utilizando as empresas públicas para buscar mais equilíbrio e manter os altos níveis de qualidade de vida.

 

Vamos na contramão?

Enquanto o Brasil investia mais em suas estatais, caminhávamos para nos tornarmos um país cada vez mais próspero e desenvolvido, tirando pessoas da miséria, com mais pessoas empregadas e recebendo atendimento público de qualidade.

Depois que os aproveitadores passaram a determinar os rumos do Brasil, a partir de 2016, o que vemos são altos índices de desemprego, redução na qualidade do atendimento à saúde e até aumentos sucessivos no preço da gasolina. A população sente no bolso e na pele o resultado.

A pergunta que você deve responder a si mesmo é: “qual país que eu quero?” Um Brasil que investe em suas estatais e prioriza o próprio povo ou um Brasil que “privatiza tudo” e gera caos social em benefício dos mais ricos e dos estrangeiros?

 

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