Atual política do governo para a Petrobras deixa o Brasil desprotegido

política do governo para a Petrobras

Enquanto países em desenvolvimento ampliam seus parques de refino, com o objetivo de diminuir a dependência dos derivados do exterior, o Brasil vai na contramão e passa a focar exclusivamente na extração e venda do petróleo cru (que é o que interessa ao capital estrangeiro).

Nações como a China, que mantém a participação do Estado em diversos setores estratégicos, desde 2010 ampliam em mais de 3 milhões de barris por dia sua capacidade interna de refino.

Já as petrolíferas europeias investem pesado em segmentos de renováveis.

A francesa Total destinou quase 5% dos seus investimentos em fontes renováveis entre 2010 e 2018 (principalmente em energia solar).

Ambientalmente politizados, os europeus têm objetivos e metas de longo prazo para que essas companhias migrem gradativamente de combustíveis fósseis para aqueles de menor impacto de carbono (ou seja, menos poluentes).

Dentro disso, o Brasil pode se tornar um mero território para armazenamento de derivados de petróleo da Europa, já que aqui a demanda continua intensa.

 

Contramão

A Petrobras não parece se preocupar com a soberania energética e segue um rumo diferente das gigantes do setor. Cada dia que passa o foco da empresa está nas reservas do Pré-sal. Uma aposta de alto risco, que não é realizada por outros players do setor.

E esse direcionamento já está decidido pela direção da Petrobras. Quando a companhia divulgou seu Plano de Negócio de Gestão (PNG) para o quadriênio 2020-2024, em dezembro de 2019, confirmou-se essa mudança estrutural iniciada há alguns anos.

 

Redução de investimento

Quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou um plano de desinvestimento para o Sistema Petrobras, o setor ficou em alerta.

Porém, o ministro não decepcionou os acionistas:

::Entre os Planos de Negócios de Gestão (PNG) de 2013-2017 e de 2018-2022, os investimentos foram de US$ 236,7 bilhões para US$ 74,5 bilhões;

:: A maior mudança foi o redirecionamento estratégico da empresa: enfoque quase exclusivo na exploração e produção do Pré-sal;

:: Principais áreas atingidas pela política de desinvestimento: refino, biocombustíveis, gás e energia, campos de produção terrestres e águas rasas;

:: Redução do quadro de funcionários;

:: Adoção de uma política de preços alinhada com a evolução do barril do petróleo (preço internacional com variação em dólar).

 

Erro estratégico

Há polêmica e divisão de pontos de vistas no setor. Quem defende uma política de preços mais justa e a utilização dos recursos do Pré-sal para investimento no país, com certeza não vai concordar com as mudanças na Petrobras.

Principalmente porque a atual política da empresa deixa o país na dependência das variáveis do mercado externo.

Portanto, não há motivo para comemorar. No último PNG 2020-2024, divulgado em dezembro de 2019, a gestão da Petrobras foi enfática:

:: A estratégia é concentrar o desenvolvimento na produção do Pré-sal e reduzir novamente a participação em outras áreas;

:: Significa que essa retração de investimentos é de US$ 8,4 bilhões (sai de US$ 84,1 bilhões para US$ 75,7 bilhões);

:: A expectativa é que a produção brasileira alcance 3,5 milhões de barris por dia em 2024, sendo 66% concentrados no pré-sal;

:: Isso só ocorrerá caso dez plataformas (Atapu, Mero 1, Sepia, Marlim 1, Búzios 5, Lula FR, Parque das Baleias, Mero 2, Marlim 2, Búzios 6, Mero 3, SEAP e Itapu) passem a operar em 2020 e 2024.

 

Transformação radical

O que muda, principalmente, com o PNG 2020-2024 é o segmento do refino:

Veja:

:: Há uma queda de 42,5% no volume de investimentos planejados: de US$ 13,9 bilhões, no PNG 2019-2023, para US$ 8,0 bilhões, no PNG 2020-2024;

:: Essa redução se refere principalmente ao cancelamento dos projetos de expansão da capacidade de refino (Refinaria Abreu e Lima – RNEST, e Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj);

:: Comperj – as obras já estão canceladas;

:: RNEST aguarda um futuro investimento, já que a refinaria foi colocadas à venda.

 

Dependência do mercado externo

Se o PNG 2020-2024 for seguido ao pé da letra, o mercado interno brasileiro ficará ainda mais refém das importações de derivados.

Informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) estimavam que a demanda por combustíveis no Brasil chegaria aos 2,8 milhões de barris por dia em 2027. Esse é o montante Estimado no PNG 2019-2023, que mantinha a conclusão das obras da RNEST e do Comperj.

Além disso, a saída da Petrobras do setor petroquímico e redução de investimento no setor das renováveis será uma espécie de limitador. Uma mudança que representa queda de investimentos de US$ 650 milhões.

A Petrobras já foi uma companhia que equilibrava a expansão da produção e a capacidade de refino, com investimento em novos segmentos de energia, como biocombustíveis e petroquímica. Agora é o mercado externo que dá as cartas.

Já para o consumidor brasileiro, esse pagará de acordo com as mudanças frequentes nos preços dos derivados (diesel e gasolina). Eles estão cada vez mais caros, são regulados em dólar e a tendência é continuar assim.

 

Veja também Por que muitas o preço do etanol sobe quando a gasolina aumenta?

 

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