Combustível caro é decisão política e prejudica todos os brasileiros

Combustível caro

O preço da gasolina no Brasil disparou nos últimos anos. E tudo, na verdade, passa por uma decisão política que prejudica todos os brasileiros, desde o dono de empresas até profissionais de transportes e trabalhadores.

Em 2016, durante o governo de Michel Temer, a Petrobras alterou a essência de sua política de preços.

Até aquele momento, os preços dos combustíveis nas refinarias e na rede própria de distribuidores mantinham-se constantes por pelo menos um semestre, protegendo de variações do câmbio e dos preços internacionais do petróleo, ao mesmo tempo que fazia projeções do comportamento do câmbio no período futuro.

Foi o período em que a Petrobras mais se valorizou em valor de mercado e crescimento estrutural (sem precisar inflar o lucro com a privatização de partes, como tem feito o atual governo).

A partir dessa decisão do governo Temer, passou a se aplicar imediatamente o preço internacional do petróleo combinado com a variação do câmbio do dólar no curto prazo. Assim, o preço ficou mais instável, chegando a mudar mais de uma vez numa mesma semana. A política foi mantida pelo governo de Jair Bolsonaro.

O preço internacional do petróleo é refém de decisões dos governos dos países que são maiores produtores mundiais e também de situações como guerras e problemas climáticos nestes países. E a vida lá não tem sido nada estável.

Combinado com o câmbio do dólar (o Real foi a terceira moeda do mundo a mais se desvalorizar com relação ao dólar nos primeiros meses de 2020), criou-se uma bomba inflacionária no combustível que não pesou mais nos índices oficiais de inflação porque coincidiu com um momento da economia brasileira de grande estagnação no consumo, o que segura os preços por falta de demanda, mas tem outros efeitos que você verá ainda neste texto.

 

As refinarias encolheram

No atual cenário de desvalorização cambial, pior que cotar um produto em dólar é comprar um produto em dólar. E é o que está acontecendo e em um cenário criado artificialmente.

As refinarias da Petrobras, que é disparada a maior estrutura petrolífera do Brasil (sendo que as empresas privadas do setor poderiam ter investido nisso desde 1997 quando acabou o monopólio, mas não fizeram), estão operando com cerca de 60 a 65% de sua capacidade máxima. Não faz muito tempo que esta capacidade esteve perto de 95%.

Foi uma escolha deliberada do governo Temer, seguida e endossada pelo governo Bolsonaro, refinar menos e comprar combustíveis refinados do exterior. Quase 90% do diesel no Brasil é comprado dos Estados Unidos e em dólar, cada vez mais caro.

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, chegou a afirmar que o alto custo do refino faz com que prefira direcionar a Petrobras para comprar combustível refinado no exterior enquanto prioriza a exportação de petróleo cru.

É uma grande mentira, como muita coisa que cerca este governo! Dados de dezembro de 2018, mostram que o refino de cada barril de petróleo custava o equivalente a R$ 2 no Brasil e R$ 3 em refinarias da mesma Petrobras no exterior.

Refinar combustível é a maneira mais usada no mundo para uma companhia petrolífera faturar mais com venda de produtos com valor agregado, manter lucros constantes por variar carteira de produtos à venda e, veja só, ter mais margem para controlar os preços no mercado interno com o excedente refinado.

Logo, a Petrobras no atual governo simplesmente abdicou de oferecer preços mais acessíveis ao consumidor por uma escolha política sem visão de longo prazo.

 

Os efeitos dos preços altos

Os efeitos dos preços altos dos combustíveis começam no aumento do custo de vida da população. Está mais caro abastecer o carro, o preço do diesel é repassado para o transporte coletivo. É cada vez mais difícil o trabalhador, que normalmente ganha muito pouco e está cada vez mais precarizado, fazer sobrar dinheiro além do gasto com transporte.

Mas isso vai muito além. Praticamente toda infraestrutura de transporte de cargas do país depende de gasolina e, principalmente, do diesel. De um lado, fica cada vez difícil para os transportadores autônomos conseguirem se manter no negócio. De outro, há repasse do custo para o preço das mercadorias.

Porém, estamos passando por um período de retração econômica e recuperação quase inexistente. A inflação está baixa porque a maioria das pessoas não tem dinheiro para consumir. Assim, produtos encalham e precisam ser vendidos de qualquer maneira.

E isso tudo resume em duas coisas: desemprego e destruição da indústria (desindustrialização) e do comércio nacionais.

Sem demanda por produzir, pois os produtos encalham, as indústrias demitem em uma ponta e até fecham, pois deixa de ser vantagem produzir. Isso bate no comércio, que demite por ter menos demanda por vendas e de produtos.

O Natal de 2019 chegou ao cúmulo de ter queda de vendas de 0,9%, sintoma gravíssimo de crise econômica profunda. E o preço alto dos combustíveis tem parte da culpa disso.

Isto é, a política de preços que o governo Bolsonaro está fazendo a Petrobras adotar para os combustíveis está atrapalhando o crescimento econômico.

A tal retomada econômica alardeada pelo governo, mas que não acontece, tem boa parcela de culpa deles mesmos.

 

E como mudar?

Para mudar é preciso manter a Petrobras estatal e com diversidade de operações e produtos. As refinarias precisam ser retomadas e ampliadas e não vendidas. O Brasil precisa ser autossuficiente no refino de combustíveis para controlar os preços internos.

Se as refinarias já existentes estivessem operando perto de seu limite, o país já estaria perto desta marca.

E não é só isso, a atual política de preços de combustíveis precisa ser revista. O Brasil não pode ser refém das instabilidades do mercado do petróleo e do câmbio do dólar.

Privatizar e desmantelar a Petrobras é frear o país e vender o nosso futuro!

 

Veja a também Por que o governo está levando a Petrobras na contramão do mundo?

 

 

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