Como a privatização da Petrobras ameaça o Projeto Tamar

Criado em 1980, o Projeto Tamar é uma das mais vitoriosas iniciativas de conservação marinha do planeta. Surgiu num período em que as tartarugas marinhas estavam ameaçadas de extinção e, após 40 anos, já soltou 40 milhões delas nos oceanos, com apoio da Petrobras!

A iniciativa se estende do Ceará até Santa Catarina, e acumula prêmios e reconhecimento no mundo todo, sobretudo por envolver as comunidades costeiras no trabalho socioambiental de forma direta – uma revolução na preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Mas, apesar de tamanha força, até mesmo o Tamar sofrerá as consequências da tentativa do governo brasileiro de privatizar a Petrobras.

 

Fechamento de bases

Três bases de conservação de tartarugas marinhas do Centro Tamar serão fechadas, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) – subordinado ao Ministério do Meio Ambiente: em Camaçari (Bahia), Parnamirim (Rio Grande do Norte) e Pirambu (Sergipe).

Essa estratégia é parte das ações do Governo Federal para “passar a boiada” durante a pandemia do novo Coronavírus – referência usada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que sugeriu que o próprio governo deveria aproveitar que a imprensa e a sociedade estavam focados nos impactos da Covid-19 e avançar sobre áreas protegidas.

 

Ameaças da pandemia

Não bastasse a sanha antiambiental do ministro que tem como função preserva o meio ambiente (o que por si é suficientemente contraditório) e do Governo Federal, a pandemia do novo Coronavírus é outra grande dificuldade enfrentada pelo projeto.

Em atendimento às orientações sanitárias dos órgãos especializados, o Tamar suspendeu o atendimento em suas bases e ficou sem recursos financeiros proveniente das lojas e das visitações às suas sedes. Não fosse a Petrobras ter se tornado sua principal fonte de renda, este poderia ser o fim de quatro décadas de uma organização que é referência mundial na pesquisa e educação ambiental.

 

Mas, até quando?

Infelizmente, não há calmaria. O plano de privatização da Petrobras está afetando o Tamar e a equipe não sabe até quando conseguirá manter o projeto.

Sob a atual gestão, a Petrobras tem gradativamente reduzido a sua participação em várias áreas. No âmbito socioambiental, o que já foi compromisso no passado hoje é visto como custo, e tem sido reduzido ao máximo para aumentar as margens de lucro e os ganhos dos acionistas.

A parceria com o Projeto Tamar sempre foi um símbolo de reparação ambiental e de preocupação com a natureza. Se o governo privatizar a estatal, não será apenas a população brasileira que sofrerás a consequências danosas, a vida marinha também está mais desprotegida.

Antes do Projeto Tamar, praticamente não havia trabalho de conservação marinha no Brasil. E se a Petrobras for privatizada, possivelmente também não haverá.

 

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