Crescimento mais significativo da Petrobras foi durante democracia

A Petrobras foi uma companhia que nasceu em 1953, período democrático. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), passou por altos e baixos, mas o crescimento mais significativo dela, em matéria de produção e desenvolvimento de tecnologia, foi já na democracia.

Vamos contextualizar, inicialmente. Em 1964, quando os militares liderados pelo General Humberto de Alencar Castelo Branco derrubaram o presidente João Goulart, a Petrobras era uma empresa jovem. Havia sido criada há pouco menos de 9 anos pelo então presidente Getúlio Vargas e estava se estruturando com começos de obras de refinarias.

Este período coincidiu com um grande aumento da demanda por petróleo no país. A importação ainda era barata e o Brasil importava a maioria do petróleo que consumia. O barril de petróleo custava apenas US$ 3.

No entanto, em 1973, os países do Oriente Médio que eram os maiores produtores do mundo, em resposta ao apoio dos Estados Unidos a Israel na Guerra do Yom Kippur (quando Israel anexou o Sinai, que pertencia então ao Egito), provocaram um embargo e o preço do barril chegou a US$ 12. Foi a Primeira Crise do Petróleo. A ela também se seguiu a Segunda Crise do Petróleo, motivada pela Revolução Islâmica do Irã (1979).

Assim, com preços mais altos, houve um processo inflacionário em toda a economia nacional. Foi a pá de cal no chamado Milagre Econômico do Regime Militar, na verdade um processo de crescimento econômico com concentração de renda e irresponsabilidade nos gastos públicos por parte do governo (que desencadeou a hiperinflação que explodiu nos anos 80 e só foi vencida vários anos e planos econômicos depois).

Neste momento, passou a ser mais viável procurar petróleo no próprio território e assim foram descobertos os primeiros poços da Bacia de Campos, coincidentemente em 1973. Assim, permitiu-se que a produção de barris de petróleo chegasse aos 500 mil barris/dia em 1984, último ano completo sob mandato militar.

A produção era insuficiente para as necessidades do país, ainda mais com alta do petróleo. Assim, se buscou alternativas como o Proálcool, que surgiu em 1975, teve seu primeiro carro de série lançado em 1979 e seu auge foi nos anos 80. Esta foi a base para uma segunda era, a dos carros híbridos de gasolina e etanol, os total flex, já no começo do século XXI.

E o preço era repassado?

Aí nós vemos as voltas que a história dá. Em 1984, em vez de se repassar o preço do que se extrai aqui no país, mais barato, para o consumidor, a Petrobras preferiu cotar o barril, no preço médio que se importava. É praticamente a mesma política de preços que é usada hoje, dos preços internacionais.

Logo, o consumidor não viu o combustível baratear mesmo sendo extraído no país. Vale lembrar que ainda existia monopólio da Petrobras no petróleo, o que só veio a deixar de existir em 1997.

Perseguição e pouca transparência

A Ditadura foi um período de muita perseguição política e pouca transparência na gestão pública.

Em 2013, a Comissão da Verdade conseguiu obter informações de que a Petrobras, durante o regime militar, espionava seus trabalhadores.

Se um petroleiro fosse considerado subversivo, segundo os critérios dos militares, passaria a ser boicotado durante sua carreira. Isso quando não era alvo da repressão, o que significava viver sob risco de tortura e morte. Subir dentro da companhia era praticamente privativo para os amigos do regime.

Foi na Ditadura Militar também que se observou o crescimento da corrupção. Pelo controle do governo sobre os meios de comunicação, os casos de desvios de conduta e de recursos não viravam manchete. Foi um período marcado por contratos muito suspeitos, como o da construção da sede da companhia durante o governo de Costa e Silva, sob cuidados da Construtora Odebrecht.

E o que mudou

Com a redemocratização, a Petrobras passou a ter mais transparência. A legislação evoluiu com a transformação do concurso público em regra, atraindo pessoal mais qualificado.

Foi assim que se abriu caminho para a descoberta do Pré-Sal.

Fruto da democratização e da Constituição de 1988, a Constituição Cidadã, novas regras de licitação e concorrência também surgiram, assim como órgãos de controle como a Controladoria Geral da União (CGU), já em 2003.

E foi justamente quando houve um encontro entre a democracia e um governo que valorizou a companhia, que a Petrobras mais evoluiu. Foi no período de 2003 a 2014 que ela adquiriu mais valor de mercado com desenvolvimento de biocombustíveis e da descoberta e início da operação do Pré-Sal.

Hoje, a Petrobras extrai em média 3 milhões de barris/dia. É quase suficiente para suprir toda necessidade nacional. Falta voltar a prirorizar o refino e transformar o país em uma nação autossuficiente em energia.

Por isso a Petrobras precisa se manter estatal e com democracia.

A Petrobras faz bem ao Brasil e a democracia faz bem à Petrobras.

Veja também A Petrobrás não dá prejuízo para os brasileiros. Pelo contrário!

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