Foco do governo no curto prazo coloca a Petrobras em risco (e o Brasil também)

Petrobras em risco

Qualquer cidadão brasileiro que acompanha um pouco a agenda econômica do Governo Federal percebe facilmente no discurso do Ministro da Economia, Paulo Guedes, que há uma intenção clara de se “fazer dinheiro” no curto prazo.

Por isso, ele repete incessantemente a vontade de intensificar as privatizações. Essa é praticamente a única solução apresentada para se reduzir a dívida pública (o que agrada apenas ao setor financeiro) e tentar impulsionar a economia brasileira.

Isso explica por que a maior empresa do Brasil também está na mira do governo. A Petrobras está em risco !

Essa visão do atual governo vai na contramão da maioria dos países produtores de petróleo no mundo, que não abrem mão de um setor tão estratégico como esse (já que é essencial para qualquer projeto de país soberano).

Se no passado a estatal priorizava o desenvolvimento nacional, com atuação diversificada e servindo como ferramenta para impulsionar a indústria brasileira, atualmente o governo foca apenas na extração e na comercialização do petróleo cru, e na entrega de partes do Pé-sal para que multinacionais possam explorá-lo pagando ao país um valor muito abaixo do que realmente valem.

 

Riscos do curto prazo

A estatal está deixando de atuar em algumas áreas importantes.

O Governo Federal quer que a Petrobrás deixe de ser acionista da Braskem [petroquímica brasileira líder mundial na produção de biopolímeros e a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas – sexta maior fabricante mundial de resinas plásticas).

A gestão da empresa também já sinalizou que vai sair do ramo de biocombustíveis e já encerrou sua atuação na área de fertilizantes nitrogenados (as fábricas da estatal representavam a produção nacional de insumos agrícolas como ureia e amônia). Agora, 100% desses produtos serão importados.

Além disso, outra tragédia é a redução da presença da Petrobrás no refino. Isso terá grande impacto na soberania energética do Brasil, já que a população brasileira ficará, mais uma vez, dependente do mercado externo (seus preços e demanda).

Vale lembrar que grandes estatais, principalmente da China, Índia e Arábia Saudita, investem pesado em seus parques de refino justamente para reduzir a dependência dos derivados do exterior. É o oposto do que a gestão da estatal brasileira está fazendo!

O Brasil diminuindo o refino, aumenta a dependência do petróleo e derivados importados. E uma coisa é certa: essa pressa em se desfazer dessas refinarias é inimiga do Brasil, pois vai gerar grande número de desempregos e causar uma imensa redução na arrecadação para a União, estados e municípios.

Abandonar esse leque de possibilidades tão importantes para o povo brasileiro, para priorizar o lucro, a curto prazo, principalmente para acionistas e para o mercado financeiro, é colocar em risco o futuro do país.

 

Na contramão

Além de manter suas estatais do ramo do petróleo, governos de países desenvolvidos também focam no longo prazo e, por isso, buscam o desenvolvimento de novas energias com menos impacto de carbono.

Ou seja, focar apenas na extração e na venda de petróleo cru não pode ser considerado apenas um erro gravíssimo de avaliação do atual governo brasileiro, deve ser considerado também um comportamento lesa-pátria, porque trará prejuízos imensos à população brasileira e colocará em risco o papel da Petrobras no cenário mundial.

No médio prazo, o Pré-sal poderia gerar mais de R$ 40 trilhões de lucro para o nosso país. Mas o atual governo quer vender com bastante pressa áreas importantes a preços muito abaixo do valor.

A título de exemplo: o megaleilão que o governo promoveu no início de novembro de 2019 para entregar áreas do Pré-sal teria gerado um prejuízo estimado em R$ 1,3 trilhões para o Brasil. Como a péssima imagem do governo atual no exterior está afugentando os investidores, não houve compradores e a Petrobras teve que adquirir alguns lotes para diminuir o vexame do próprio governo.

Ou seja, para sorte dos brasileiros, o megaleilão foi um megafracasso.

Mas o povo não pode esperar sempre pela sorte!

Se continuar focando apenas no curto prazo para arrecadar recursos imediatos visando apenas as próximas eleições, o governo comprometerá o futuro do Brasil em um prazo igualmente curto.

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