Mesmo na pandemia, Petrobras bate recorde de exportação de petróleo cru

A Petrobras anunciou, no início de maio de 2020, ter batido em abril o seu recorde de exportação de petróleo cru. Foram vendidos durante o mês um total de 30,4 milhões de barris no mercado internacional, uma média de 1 milhão de barris por dia.

O recorde anterior era de dezembro de 2019 com 771 barris por dia, e significa aumento de 145% com relação a abril daquele ano.

A marca veio no momento de maior crise já atravessada pelo setor, causada pela pandemia do Coronavírus, que diminuiu a demanda internacional por petróleo e derivados e, por consequência, o preço do barril.

Segundo a própria Petrobras, uma nova especificação mundial para combustíveis marinhos (chamada de IMO 2020) beneficiou a estatal, pois reduziu o teor de enxofre permitido no óleo combustível de 3,5% para 0,5%. O petróleo extraído no Pré-Sal se enquadra nas novas especificações.

A China é o principal consumidor do petróleo brasileiro, absorvendo 60% do volume exportado pelo Brasil nos primeiros quatro meses do ano.

Outros países asiáticos, entre eles a Índia, além dos Estados Unidos e Europa, também estão entre os principais compradores.

As exportações de petróleo cru subiram 25% entre o último trimestre de 2019 e no primeiro de 2020.

Perigos

Segundo a Petrobras, esses números são positivos. Mas será que são o suficiente para trazer segurança para o Brasil?

Por decisão do governo brasileiro, o foco tem sido cada vez maior na extração e na venda do petróleo cru para o exterior.

Com isso, o Brasil está reduzindo o refino, e isso é perigoso.

A pandemia gerou diminuição da utilização das refinarias, que está por volta de 50% de sua capacidade. Isso deixa o país cada vez mais refém do mercado internacional de petróleo.

A Petrobras foi a empresa mais afetada do setor pela pandemia. Seu valor de marcado foi reduzido pela metade.

Empresas de outros países, que possuem do mesmo porte da Petrobras, estão ampliando sua participação em diferentes áreas, especialmente no refino. Com isso, terão mais segurança para superar crises e tornarem seus países mais independentes em relação aos combustíveis e derivados.

Desde 2019, a Petrobras passa por desinvestimentos e tem importado volume considerável de produtos refinados, principalmente dos Estados Unidos, enquanto subutiliza suas refinarias.

Essa visão de curto alcance colocará em risco todo o projeto de independência energética construída no Brasil a partir de meados dos anos 2000.

O que pode parecer avanço, pode acabar fazendo o Brasil dar um passo para trás.

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