O desmonte e a desnacionalização da Petrobras

Desde o início do governo Temer, em 2016, a Petrobras tem passado por mudanças bruscas tanto na sua atuação como nas suas prioridades.

Temer deu início a uma política de preços, aplicada até hoje no governo Bolsonaro: seguir oscilações cambiais, custos internacionais do petróleo e somar aos “riscos políticos”. Tudo isso para agradar ao capital estrangeiro.

Ambos governos passaram a reduzir a participação da Petrobras em diversos setores, encolhendo a importância econômica da estatal e privatizando subsidiárias.

Cada vez mais, o foco tem sido direcionado para extração e venda de petróleo cru, o que vai na contramão de todas as principais empresa do setor (que estão ampliando o refino e a diversificação de atuação) e coloca a estatal em risco, pois fica cada vez mais refém da política internacional de preços do petróleo e sujeita às bruscas variações do mercado.

 

Mas, como isso começou?

A medida recompensa os acionistas privados da estatal e os interesses estrangeiros: desde 2015, as importações de diesel e outros derivados duplicaram. Há dois anos, 41% do diesel importado vinha dos Estados Unidos. Agora, 80% vem de lá.

Além da capacidade interna de refino cair 25%, o diesel no Brasil ficou 50% acima do preço internacional. Enquanto isso, passamos a exportar 360 milhões de barris de óleo cru, em 2017, quando antes eram apenas 140 milhões (2013).

 

E por que isso está acontecendo?

Para quebrar a Petrobras, e depois vendê-la.

As reservas do Pré-sal (uma das maiores do planeta) dão imensa folga para pagar o investimento usado especificamente para viabilizar sua exploração. Todavia, criaram o mito da “dívida impagável” para desmontar e desnacionalizar a estatal.

Antes, a Petrobras fazia parte de um projeto estratégico de nação, que buscava a independência energética e proporcionava desenvolvimento econômico e social para o país.

Mas desde 2016, a Petrobras deixou de ser operadora única do Pré-sal, distribuidoras, transportadoras, complexos petroquímicos e refinarias  foram entregues para o capital privado a preços desprezíveis.

 

Poderia ser diferente?

Sim, e era!

Antes do governo Temer assumir em 2016, a estatal crescia – e o país também. Veja:

  • Sua política de preços estava sempre acima dos custos de produção e alinhada ao mercado internacional.
  • Sua geração operacional de caixa sempre foi positiva: seu patrimônio líquido saltou de US$ 15,5 bilhões para US$ 116,97 bilhões, em 12 anos.
  • Com os investimentos para a descoberta do Pré-sal, a produção de petróleo nacional subiu de 1,27 milhão de barris (2000) para 2,52 milhões barris (2015).
  • Seus lucros médios quintuplicaram, aqueceram a cadeia nacional de petróleo e geraram centenas de milhares de empregos diretos e indiretos.

É possível manter o petróleo e seus derivados a baixo custo e oscilação mínima, exercendo uma política de soberania e desenvolvimento do Brasil. Foi para isso que a Petrobras foi criada. E por isso ela deve permanecer estatal.

 

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