Política de preços dos combustíveis que desencadeou greve dos caminhoneiros em 2018 segue intacta

Em maio de 2018, caminhoneiros em todo o Brasil fizeram uma greve de 11 dias. Entre as reivindicações dos grevistas, estava a redução do preço do diesel, que elevava o preço do frete, inviabilizando o trabalho de muitos transportadores de carga.

O governo da época, de Michel Temer, fez acordos momentâneos com os líderes do movimento para encerrar a greve.

Porém, a verdadeira causa do problema – a política de preços de combustíveis adotada por seu governo – foi mantida pelo governo de Jair Bolsonaro, prejudicando não só quem vive de frete mas a população brasileira de forma geral.

 

Causas e efeitos

Para atender aos interesses estrangeiros, em outubro de 2016 o governo Temer (que havia tomado posse alguns meses antes) implantou uma nova política de preços de combustíveis na estatal: o Preço de Paridade Internacional (PPI).

Neste sistema, o preço dos combustíveis nas refinarias da Petrobrás passou a ser definido não pelo seu valor de produção no Brasil, mas pelo valor do combustível no Golfo do México, adicionado ao custo do frete até o Brasil, aos gastos portuários de importação, e ainda aos gastos com seguros contra variações cambial e do preço do petróleo.

Uma verdadeira contabilidade criativa na composição de preços e que faz parecer que vale a pena comprar combustível de fora.

E o governo passou a reduzir as operações nas refinarias. Em 2017, a importação de diesel cresceu 63% em relação ao ano anterior.

E os preços dos combustíveis obviamente subiram. Em alguns momentos, os aumentos chegaram a ser diários.

Foi este cenário que levou à greve dos caminhoneiros em 2018, que mostrou ao país o quanto foi danosa a mudança de política de preços, que favorece ao mercado internacional.

A greve fez o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, pedir demissão, mas a política do preço – extremamente contraditória num país que extrai praticamente a quantidade de petróleo que consome e pode refinar – seguiu intacta e seus efeitos continuaram afetando a Petrobras. E tudo isso faz parte de um projeto de destruição da estatal.

Para a atual gestão da Petrobras, a forma de precificação que a Petrobras adotou é uma garantia aos interessados em comprar as refinarias colocadas à venda, deixando com a empresa apenas as unidades no Rio de Janeiro e São Paulo. É a prova de que a prioridade do governo é agradar ao mercado internacional, e não beneficiar o povo brasileiro.

Atrelado a isso, a estatal se desfez de vários ativos nos últimos anos, notadamente a BR Distribuidora, a TAG, a Liquigas, arrendou ou fechou fábricas de fertilizantes, além de querer vender a Gaspetro. Estão à venda também a petroquímica Braskem e termelétricas construídas na época do apagão (2001). Do mesmo modo, a empresa tem se desfeito de estruturas no exterior do país e de campos de petróleo.

A Petrobras precisa continuar sendo estatal, e sua administração deve mudar completamente seu foco, voltando a priorizar os interesses da população. Só assim o Brasil terá um futuro marcado pela prosperidade e pelos avanços sociais.

 

 

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