A Petrobras é nossa, mas por que o preço do combustível no Brasil está tão alto?

preço do combustível no Brasil está tão alto

O brasileiro diariamente sofre consequências da política adotada pelos governos Temer e Bolsonaro, que optaram por atrelar o preço dos derivados do petróleo às variações do mercado internacional, que opera em dólar. Esse é um dos motivos que explica porque o preço do combustível no Brasil está tão alto.

Até 2015, a gasolina e o diesel tinham preços regulados pelo Governo Federal para reduzir os impactos negativos que qualquer variação do preço internacional do petróleo pudesse causar aos consumidores.

Mas agora, se houver alguma variação econômica global ou, por exemplo, um conflito em alguma região do planeta que envolva a questão do petróleo (e olhe que sempre há guerras por causa do produto), o preço dos combustíveis será reajustado aqui no Brasil.

Como a variação do dólar acontece o tempo todo (às vezes os reajustes são diários) o impacto é enorme no bolso dos brasileiros (que recebem em real).

E uma coisa é certa: se o dólar aumenta, a gasolina, o diesel e o gás de cozinha também aumentam.

Mas quem perde com isso? O povo, é claro.

Agora, quando um membro do alto escalão do governo dá declarações que pegam muito mal no exterior, o dólar fica ainda mais caro no Brasil. Foi o que aconteceu quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em entrevista coletiva em Washington (Estados Unidos) que o Governo Federal poderia repetir o AI-5 (ato institucional que endureceu a ditadura, cassou direitos políticos e iniciou o período de maior terror do regime). No mesmo dia, o dólar bateu recorde de alta, com reflexos nos preços dos combustíveis.

 

Redução no refino

Atualmente o Brasil importa cerca de 30% de derivados de petróleo dos EUA. Os norte-americanos, em dois anos, viraram o maior exportador de diesel para o mercado brasileiro.

Ou seja, a contrapartida desse “acordo” foi a redução do refino nacional.

As refinarias da Petrobras chegaram a operar a 95% de sua capacidade. O atual governo reduziu a quase 60%.

Como o petróleo brasileiro é do tipo “pesado”, sua extração e refino são mais demoradas e mais caras do que o de outros países. A Petrobras precisa desenvolver novas tecnologias para baratear esse custo (isso deixaria o combustível final mais barato também), mas a gestão está indo na direção contrária.

Agora a Petrobras exporta seu petróleo bruto (a preços baixos) e importa o produto refinado (pagando caro). O Brasil compra derivado de petróleo (que nós mesmo produzimos) e paga em dólar!

 

Impostos e outros custos

Os impostos que o país e os governos estaduais e municipais arrecada são muito importantes porque é com esses recursos que o poder público pode desenvolver políticas sociais. Mas sem dúvida os altos impostos sobre os combustíveis pesam no preço final.

Ou seja, tanto o Governo Federal como os estaduais poderiam reduzir os tributos. Mas não querem!

Mas os impostos não são os únicos responsáveis. Veja como é composto o preço da gasolina (em valores arredondados):

Preço do produtor: 26%

Preço do etanol anidro: 14%

Custo de transporte: 2%

Tributos federais (PIS, Pasep, Cide, Cofins): 16%

Tributos estaduais (ICMS): R$ 28%

Lucro dos distribuidores e dos revendedores: 14%

 

Você paga uma conta que não deveria ser sua

O Brasil sempre teve altos impostos, mas nunca teve preços dos combustíveis tão altos.

Em vez de buscar recursos onde deveria: com as empresas sonegadoras (grandes empresas privadas sonegam quase R$ 500 bilhões por ano, o que é uma forma de corrupção) ou rever o sistema de pagamento e rolagem da dívida pública (esse pagamento é prioridade do governo com o sistema financeiro, porque é dali que veio o ministro da Economia), o governo está passando a conta para o consumidor.

Reduzir impostos, retomar a produtividade das refinarias, rever o sistema de dolarização do preço, e deixar de fatiar a Petrobras ou de querer entregar a riqueza do Pré-sal a estrangeiros ou seriam medidas que ajudariam a reduzir o preço dos combustíveis.

Mas aí o governo precisaria mudar sua política econômica.

Porque se insistir em tentar privatizar a Petrobras, que é lucrativa e essencial para a economia do país, os preços continuarão subindo.

A riqueza da Petrobras é real. E em Real.

 

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