Privatização de refinarias da Petrobras: perigos escondidos

Não se engane: a privatização das refinarias da Petrobras não tornará o mercado mais livre. Na verdade, o Brasil ficará refém das petroleiras estrangeiras.

Das 13 refinarias da estatal, oito foram colocadas à venda. A primeira da fila é a Refinaria Landulpho Alves (RLAM). Localizada em São Francisco do Conde (Bahia), é a segunda maior do país, com capacidade para refinar 330 mil barris diariamente.

Fundada antes mesmo da criação da Petrobras (1950), a Rlam está em fase vinculante (quando as ofertas de compra são selecionadas e se formalizam em propostas mais consistentes). A melhor oferta foi apresentada por um dos principais fundos soberanos dos Emirados Árabes Unidos, o Abu Dhabi Mubadala – que discutirá com a Petrobras os termos de compra de forma exclusiva.

 

Por que isso não é bom?

A venda da Rlam será excelente para os Emirados Árabes Unidos, mas péssima para o Brasil.

Além de tornar os produtos mais caros para os consumidores, afetará drasticamente o abastecimento do Nordeste brasileiro – as refinarias Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará, também estão na lista de privatizações.

Aliás, a venda da Rnest representa a perda da soberania nacional sobre a importação de gás natural liquefeito (GLP).

De 25 a 30% de todo o GLP consumido no país é importado. Destes, 80% entra pelo porto de Suape, em Pernambuco. Ou seja, 80% da capacidade brasileira de importação e armazenamento de GLP será privatizada junto com a Rnest.

E não é tudo.

Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), os perigos que a privatização das refinarias da Petrobras esconde serão desastrosos:

  • O abastecimento de todo o país ficará comprometido, já que quase 99% das refinarias que continuarão estatais estão no eixo Rio-São Paulo.
  • A população que vive fora desse eixo se tornará refém dos novos donos das refinarias: o acesso aos combustíveis será menor, assim como sua variedade. Já os preços serão maiores.
  • O investimento em refino não será de acordo com o desenvolvimento regional, mas sim com o que gerar mais lucro. Alguns derivados não serão mais produzidos, o que também pode gerar desabastecimento em várias regiões.
  • Se os novos donos forem internacionalizados, ou atuarem no segmento de importação, a estrutura das refinarias poderá ser usada como reservatórios de produtos importados. Deixando de produzir no Brasil, os novos donos lucrarão mais, mas o povo não terá a geração atual de desenvolvimento e renda.

Desmontar o parque de refino da Petrobras romperá com o projeto de nação soberana desenvolvido para o Brasil quando a estatal foi criada (e que foi essencial para o Brasil dar saltos nos índices de qualidade de vida nas duas últimas décadas) e só servirá para tornar o povo brasileiro refém do capital estrangeiro.

Isso está muito longe de colocar o “Brasil acima de tudo”, como prometido pelo atual Governo Federal.

 

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