Sem a BR Distribuidora, queda de preços demora para chegar nas bombas

Sem a BR Distribuidora, queda de preços demora para chegar nas bombas Sem a BR Distribuidora, queda de preços demora para chegar nas bombas

Em julho de 2019, o governo Bolsonaro finalizou a venda de parte das ações que a Petrobras tinha da BR Distribuidora (maior empresa de distribuição de combustíveis no Brasil, com 7,7 mil postos). Por isso, a estatal deixou de ser sua maior acionista. O reflexo pode ser sentido no bolso dos consumidores.

A venda da BR Dristribuidora é parte da política de redução do papel estratégico da Petrobras no setor. O governo Bolsonaro pretende se desfazer de partes da Petrobras para focar (erroneamente) apenas na extração e venda de petróleo cru (indo na contramão das maiores empresas petrolíferas do mundo, que diversificam suas ações).

A perda do controle acionário (a Petrobras ficou com cerca de 37%) é responsável pela demora para que os consumidores vejam nas bombas a redução de preços dos combustíveis nas refinarias, causada pela grande queda do preço internacional do petróleo (fruto do excesso de produção e da queda do consumo a partir da pandemia da Covid-19).

Do início de março até metade de abril de 2020, o diesel caiu 21,1% nas refinarias. No entanto, o preço nos postos foi reduzido em apenas 8,6%.

Quando se trata do preço da gasolina, a situação é ainda mais desigual: a estatal reduziu em 40% nas refinarias, mas nas bombas o preço caiu somente 8,5%. Os dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Ao deixar de ser o maior acionista da BR Distribuidora, o país perde uma ferramenta importante de controle de preços, porque o restante da cadeia produtiva, que é privado, tentará lucrar ao máximo em todo o percurso até o consumidor.

E aqui vai um lembrete importante: embora os postos ainda mantenham a marca BR e o nome Petrobras em suas fachadas, já não pertencem mais à estatal.

O governo Bolsonaro abriu mão de um instrumento de política econômica e enfraqueceu a Petrobras ao se desfazer de parte bastante lucrativa da companhia e estratégica para o país.

O caminho do combustível da refinaria ao posto

Após o refino, o combustível é vendido às distribuidoras. Por ter uma rede regionalizada de refinarias, as distribuidoras normalmente compram da refinaria mais próxima.

Há basicamente dois tipos de postos de combustíveis: os que possuem bandeira de alguma distribuidora (estes compram apenas daquela distribuidora) e os de bandeira própria ou branca (estes compram de diversas distribuidoras).

Próximo às bombas, é obrigatório por lei haver informações sobre a origem do combustível. O consumidor tem direito de pedir testes de qualidade no posto para verificar se há adulteração realizada em algum momento entre a distribuidora e a bomba. O teste demora cerca de cinco minutos para ser feito.

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